Um advogado condenado por mandar matar a ex-companheira, servidora do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), foi preso em Belo Horizonte após ter a prisão domiciliar revogada pela Justiça. A vítima, Lilian Hermógenes da Silva, foi assassinada a tiros em 2016, em Contagem, na Grande BH (relembre o caso mais abaixo).
Artur Campos Rezende foi detido no bairro Camargos, na Região Noroeste da capital mineira, na terça-feira (30), poucas horas depois da decisão da Vara de Execuções Criminais. A ação foi realizada por policiais militares, com apoio de equipes ligadas à promotoria.
O homem foi condenado a 24 anos, oito meses e 20 dias de prisão por homicídio triplamente qualificado, roubo duplamente majorado e fraude processual. Ele estava em prisão domiciliar após progredir para o regime semiaberto, inicialmente em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
A Justiça tinha autorizado o cumprimento da pena em casa devido à falta de vagas no sistema prisional da região. Com isso, o processo foi transferido para Belo Horizonte, onde o condenado mora e afirmou ter familiares.
Revogação da prisão domiciliar
O Ministério Público pediu a revogação da prisão domiciliar, alegando que a disponibilidade de vagas em presídios da Região Metropolitana permitiria o retorno ao regime semiaberto em unidade prisional.
Os promotores também destacaram o risco à família da vítima, porque a ida do condenado para Belo Horizonte deixou o homem mais próximo dos parentes de Lilian, que relataram medo de possíveis retaliações.
Artur Campos Rezende ainda tem pouco mais de 15 anos de pena a cumprir pelos crimes pelos quais recebeu a condenação.
Remição de pena é questionada
Ainda conforme o Ministério Público, durante o cumprimento da pena, o condenado conseguiu reduzir 675 dias da sentença por meio de estudo e leitura.
O MP, no entanto, questionou parte do benefício. A alegação é que um curso a distância feito por ele não comprovou vínculo com o projeto pedagógico da unidade prisional, como exige entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ela também citou que a falta de vagas no sistema prisional não justifica decisões automáticas.
Relembre o caso
Lilian Hermógenes trabalhava na Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher do MPMG. Ela foi morta a tiros no dia 23 de agosto de 2016, enquanto saía de casa, no bairro Industrial, em Contagem.
Segundo as investigações, o ex-companheiro encomendou o crime após o fim do relacionamento, que durou cerca de 20 anos.
A vítima tinha medida protetiva contra ele e, de acordo com a denúncia, já havia sofrido violências físicas, psicológicas, morais e patrimoniais.
Na época do crime, Lilian deixou dois filhos, de 9 e 12 anos.
*Com G1 MINAS

