Quarta-feira, Agosto 12, 2026
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390 dias – Delegada casada com acusado de matar gari tem licença renovada e somará mais de um ano afastada

A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Ana Paula Lamego Balbino teve a licença médica renovada por mais 30 dias. A nova prorrogação foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta terça-feira (11), data em que a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes completa um ano. Ana Paula é casada com Renê da Silva Nogueira Júnior, que responde pelo assassinato do trabalhador.

Desta vez, o período de afastamento é menor do que os anteriores. Nas últimas renovações, a delegada recebeu licenças de 60 dias. Com o novo afastamento, válido até 7 de setembro, Ana Paula vai completar 390 dias fora da PC.

Ana Paula está fora das atividades da Polícia Civil desde 13 de agosto de 2025, dois dias após Laudemir ser morto a tiros durante uma discussão de trânsito no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte. Segundo as investigações, a arma usada no crime estava registrada em nome da delegada.

Desde o início do afastamento, a licença médica vem sendo prorrogada sucessivamente. A medida é para tratamento de saúde e não impede que ela permaneça vinculada à Polícia Civil.

Além do afastamento médico, Ana Paula responde a um processo administrativo disciplinar na corporação. Ela também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo e prevaricação no curso das investigações relacionadas ao caso.

Renê Júnior está preso e responde pelo assassinato de Laudemir. O empresário foi enviado a júri popular em janeiro deste ano, mas o julgamento ainda não tem data marcada.

Veja a nota da defesa de Ana Paula

1. A Defesa da Dra. Ana Paula Balbino esclarece que ela não possui qualquer participação ou relação com os fatos investigados acerca da morte do Sr. Laudemir. As apurações e as acusações existentes são direcionadas a terceiro, inexistindo imputação de participação da Dra. Ana Paula nesses fatos, conforme decidido pela Justiça. 

2.Também é importante esclarecer que jamais houve empréstimo, cessão ou qualquer forma de autorização ou conivência da Dra. Ana Paula quanto ao acesso de arma de fogo sob sua guarda ou responsabilidade a terceiros.

3.Muito embora tenha ocorrido seu indiciamento em inquérito policial relacionado à apuração do crime de homicídio, a Defesa ressalta que, além de precipitada e indevida a conclusão, a Dra. Ana Paula não foi sequer ouvida naquele procedimento, sendo que a sua inocência será demonstrada no devido processo, em que terá oportunidade de se defender adequadamente.

4.A Defesa reafirma sua confiança nas instituições e tem convicção de que, ao final do regular trâmite processual do processo devido, os fatos serão devidamente esclarecidos, com o reconhecimento da ausência de responsabilidade da Dra. Ana Paula.

5.Quanto à saúde, a Dra. Ana Paula encontra-se afastada em razão de licenças médicas sucessivamente concedidas e renovadas por junta médica oficial da própria Administração Pública. Não se trata de afastamento voluntário nem de expediente processual relacionado à sua defesa técnica; cada prorrogação decorreu de perícia realizada por médicos do Estado, que atestaram a permanência do quadro incapacitante. Por determinação legal, o diagnóstico de saúde não é público. O que se pode afirmar ao público é que subsiste a incapacidade para o exercício das atribuições específicas do cargo policial, que envolvem porte de arma, decisão sob pressão e atendimento direto a vítimas de violência.

6.Por fim, a Defesa ressalta que a Dra. Ana Paula é uma profissional honrada, cuja trajetória como Delegada de Polícia sempre foi pautada pela estrita observância da legalidade, da ética e do compromisso com o serviço público. Ao longo de sua carreira, dedicou-se à proteção da sociedade, especialmente de vítimas e pessoas em situação de vulnerabilidade, construindo um histórico de relevantes serviços prestados à justiça e à sociedade.

Nesse contexto, não é correto vinculá-la a fatos com os quais não possui qualquer relação. Isto, infelizmente, apenas aprofunda o sofrimento pessoal e profissional que vem enfrentando desde o dia 11 de agosto de 2025, além de atingir injustamente a reputação construída ao longo de uma vida honrada e carreira marcada pelo compromisso com a Justiça e com o interesse público.

*Por Portal Hoje em Dia

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