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“Tropa do Gui”: dupla acusada de liderar esquema de agiotagem e extorsão é presa na Grande BH

Dois homens, de 32 e 36 anos, apontados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) como os principais articuladores da “Tropa do Gui”, grupo criminoso especializado em agiotagem e extorsão com violência, foram presos nessa quarta-feira (9/9), em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o MPMG, os dois eram foragidos da Justiça e foram localizados em um condomínio fechado no bairro Santo Antônio da Barra.

Conforme as investigações do MPMG, a “Tropa do Gui” era responsável por emprestar dinheiro e cobrava juros abusivos, além de impor diárias por atraso. As cobranças, segundo o Ministério Público, seriam acompanhadas de ameaças e violência física e psicológica contra os devedores.

Vítima pegou R$ 1 mil e pagou mais de R$ 6 mil

Uma das vítimas identificadas na investigação, segundo o MPMG, teria contraído um empréstimo inicial de R$ 1 mil. Mesmo após realizar pagamentos que ultrapassaram R$ 6 mil, a pessoa continuou sendo alvo de cobranças diárias e ameaças de morte para quitar novos valores exigidos pelo grupo.

A cobrança das dívidas era feita por integrantes chamados de “juristas” dentro da organização. Eles seriam responsáveis pelas abordagens presenciais e pelo uso de violência contra devedores.

A investigação também identificou registros de violência atribuídos ao grupo. Segundo o Ministério Público, uma perícia realizada em um celular apreendido com outro integrante da associação, preso em maio deste ano, recuperou fotos e vídeos que mostrariam vítimas sendo agredidas.

Em um dos registros, três homens aparecem portando um bastão e invadindo a residência de uma vítima. Eles passam a agredi-la com socos, chutes e golpes de bastão, principalmente na região da cabeça. Uma arma de fogo também aparece na ação, que teria ocorrido na presença de familiares.

Integrante foi preso em maio

Em 16 de maio deste ano, outro homem apontado como integrante da associação foi preso na porta da casa de uma das vítimas. Segundo o MPMG, ele carregava um revólver calibre .32 municiado e um taco de madeira com a palavra “diálogo” escrita.

O episódio também teria ajudado a investigação a identificar outros integrantes do grupo. Nas duas ocasiões em que foram realizadas audiências de instrução relacionadas ao caso, integrantes da associação teriam tentado constranger vítimas e testemunhas e interferir na produção das provas.

Essas ações, conforme o órgão, contribuíram para a identificação de outros suspeitos e para as prisões realizadas nesta quarta-feira.

Líder cuidava do dinheiro

De acordo com o MPMG, a associação tinha divisão de tarefas. O homem de 32 anos seria o líder e responsável pela gestão financeira do grupo. Os valores obtidos com as extorsões eram repassados para a conta bancária de uma empresa de consultoria imobiliária da qual ele é proprietário.

Já o homem de 36 anos preso nessa quarta-feira e o integrante detido em maio seriam responsáveis pelas cobranças presenciais. Segundo o órgão estadual, eles invadiam residências, agrediam devedores com pauladas e divulgavam fotos de socos-inglês e bastões acompanhadas de mensagens intimidatórias nas redes sociais.

A esposa de um dos envolvidos também é apontada como participante do esquema. O MPMG indica que ela teria cedido linhas telefônicas cadastradas em seu nome e participado presencialmente de abordagens consideradas intimidatórias.

*Por O Tempo

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