De janeiro a maio deste ano, Minas registrou 148 feminicídios consumados ou tentados – são sete vítimas por semana, ou uma a cada 24 horas -, segundo levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Sessenta e três mulheres perderam a vida e outras 85, por pouco, não foram assassinadas.
Além disso, chama a atenção o fato de que esse tipo de crime segue sem freios no Estado. Na comparação com os cinco primeiros meses do ano passado, os números são praticamente idênticos, quando houve 149 ocorrências.
Os dados ganham ainda mais peso diante de uma sequência de crimes registrados em Belo Horizonte. Em um intervalo de apenas 24 horas, três casos de violência contra a mulher ocorreram na capital. Na segunda-feira (20), uma mulher de 35 anos foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava. O namorado confessou o crime.
No mesmo dia, uma capitã da Polícia Militar, de 41 anos, foi levada morta para o hospital pelo companheiro, um sargento da corporação de 37. O corpo dela apresentava várias marcas de violência. O militar foi preso em flagrante e é investigado por feminicídio. Hoje, a Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante.
Na terça (21), um homem foi preso suspeito de jogar a companheira do terceiro andar de uma residência no bairro Jonas Veiga, na região Leste. A vítima sofreu escoriações após cair sobre o segundo pavimento do imóvel.
Mais de 70 mil mulheres procuraram ajuda
O cenário da violência de gênero vai além dos casos extremos. Entre janeiro e maio deste ano, 70.544 mulheres procuraram as autoridades em Minas para denunciar algum tipo de violência. O levantamento da Sejusp inclui ocorrências de ameaça, lesão corporal, violência psicológica, perseguição, agressões físicas e outros crimes previstos na Lei Maria da Penha.
Combate à violência contra mulher
A comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Cleide Barcelos, reforçou nesta quarta-feira (22), durante velório da capitã da corporação, a necessidade de combater a violência doméstica, o crime contra mulheres.
Emocionada, Cleide disse que a perda da militar representa também a dor de milhares de mulheres vítimas de violência. “Nos meus 29 anos de polícia e dois meses de comando da instituição, eu aprendi uma coisa: não existe nada mais triste do que a perda de uma vida. A morte da capitã e de todas as outras mulheres, em virtude da violência doméstica e familiar contra a mulher, nos toca a alma. Ela nos motiva cada vez mais a lutarmos contra esse inimigo visível e muitas vezes invisível que assola a nossa sociedade”, afirmou.
Segundo a coronel, a corporação mantém o compromisso de atuar na proteção das mulheres mineiras. “Toda a nossa comunidade pode continuar acreditando no firme propósito de nossa instituição de proteger todas as famílias mineiras, todas as mulheres do Estado de Minas Gerais.”
Políticas públicas
O Governo de Minas informou que diferentes políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio são desenvolvidas de forma permanente e integrada por diversos órgãos e instituições. “As ações abrangem assistência, acolhimento, proteção às vítimas e o estímulo à denúncia dos crimes”, informa nota enviada.
Entre as iniciativas em funcionamento estão programas de acompanhamento de homens autores de violência, chatbots para atendimento imediato às solicitações e o funcionamento ininterrupto das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), tanto na capital quanto no interior.
“Também reforçamos a importância da denúncia. Além das Delegacias da Polícia Civil e das unidades da Polícia Militar de Minas Gerais, ocorrências podem ser registradas pela Delegacia Virtual em casos de ameaça, lesão corporal, vias de fato e descumprimento de medida protetiva. As denúncias também podem ser feitas pelo aplicativo MG Mulher, pelo telefone 190, pelo 180 (Central de Atendimento à Mulher) e pelo 181 (Disque-Denúncia Unificado)”, informa o Estado.
Além disso, o Governo informou que promove campanhas educativas de prevenção, capacitação dos profissionais das redes municipais e estaduais de atendimento, oferta de atendimento psicossocial e jurídico e iniciativas voltadas à promoção da autonomia econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade ou em processo de superação da violência.
*Por Portal Hoje em Dia

