Após mais de um ano afastada por sucessivas licenças médicas, a delegada Ana Paula Lamego Balbino voltou ao trabalho na Polícia Civil. A servidora, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, retornou ao ofício na primeira semana de outubro. Apesar da volta, Ana Paula recebeu um ajustamento funcional por 120 dias do Hospital da Polícia Civil, válido até janeiro de 2027.
Na prática, o ajustamento funcional, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quinta-feira (15), é a adequação das atividades exercidas pelo servidor de forma compatível com a limitação que o funcionário público tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, para evitar o agravamento de sua condição e visar, sempre que possível, o restabelecimento da saúde.
Ana Paula estava fora das atividades da Polícia Civil desde 13 de agosto de 2025, dois dias após Laudemir ser morto a tiros durante uma discussão de trânsito no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte. Segundo as investigações, a arma usada no crime estava registrada em nome da delegada.
Desde o início do afastamento, a licença médica foi prorrogada sucessivamente. Apesar dos sucessivos afastamentos, Ana Paula continuou sendo remunerada normalmente. Segundo o dado mais recente do Portal da Transparência, a servidora recebeu R$ 23.418,72 em agosto deste ano.
A reportagem procurou a Polícia Civil e a defesa da delegada e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Relembre o caso
Laudemir foi assassinado em serviço pelo empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter efetuado o tiro. A arma era da esposa, a delegada Ana Paula Lamêgo Balbino. O caso ocorreu no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte.
Renê foi indiciado por três crimes: homicídio duplamente qualificado, ameaça contra a motorista do caminhão de coleta de lixo e porte ilegal de arma de fogo. A pena pode chegar a 35 anos de prisão.
Após o crime, o empresário “seguiu a rotina” e continuou o dia como se nada tivesse acontecido. Renê foi visto no trabalho e também passeando com dois cachorros. Depois, ainda foi para a academia, onde foi preso.
Ao ser levado para a delegacia, Renê mandou mensagens para a esposa pedindo para que ela entregasse uma arma diferente da que foi utilizada no crime. “Entrega a nove milímetros. Não pega a outra. A nove milímetros não tem nada”, escreveu, referindo-se à outra arma da delegada. Segundo o inquérito, Ana Paula não respondeu nem atendeu ao pedido do marido.
Antes de ser preso, o empresário ainda mandou outra mensagem para a esposa: “Estava no lugar errado na hora errada. Amor, eu não fiz nada”.
A polícia confirmou que a arma utilizada era da esposa do empresário. Ela foi indiciada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, ao ceder o armamento ao marido.
Conforme previsto na Lei do Desarmamento, o crime prevê pena de 2 a 4 anos de prisão. Porém, por ela ser servidora pública, poderá ter a pena aumentada por mais dois anos.
*Por Portal Hoje em Dia

