Any Awuada, como ficou conhecida Nayara Macedo, tem movimentado as redes sociais desde sexta-feira (14) por afirmar ter tido relações sexuais com o jogador do Santos, Neymar. Apesar de se apresentar como acompanhante de luxo, Nayara também já foi condenada por aplicar golpes vendendo produtos de grife falsificados como se fossem originais.
Esse é o caso da amiga de Lili Gomes, que chegou a comprar uma bolsa de luxo no valor de R$ 13 mil na mão de Nayara e nunca recebeu o produto ou estorno do valor pago. “A Nayara trabalha de uma forma que leva a vítima ao extremo e a exaustão, minha amiga ficou muito mal, deprimida. Quando ela tentou cobrar pelo valor pago, Nayara fez ameaças e fez montagens de fotos como se a minha amiga fosse garota de programa e mandandou para o marido da minha amiga”, contou.
Outra vítima de Nayara, Kamila, teve um prejuízo foi menor, de R$ 400. Mas, mesmo recebendo constantes ameaças, a mulher denunciou o caso à Polícia Civil e moveu um processo contra Nayara. “Durante o processo ela não compareceu, então o juiz me deu a causa ganha e definiu o ressarcimento do valor que eu paguei e danos morais. Só que até hoje ela não pagou e eles entraram com uma ação para poder bloquear as contas”, revelou.
Segundo a vítima, por mais que ela tenha sido condenada a pagar pelos danos, Nayara repassava os valores e as posses para a conta de familiares. “Ela fechava o Instagram quando caia e, em seguida, fazia outro, e ia mudando de nome para fazer novas vítimas”, explicou.
Em 2023, a Polícia Civil de São Paulo chegou a fazer uma operação para apreensão dos itens falsificados após mais de 300 vítimas fazerem queixas de estelionato, ameaça e intimidação contra Nayara. Na época, pelo menos 50 mulheres de Belo Horizonte também já haviam denunciado os crimes de Nayara. Mas, mesmo com as ações ganhas pelas vítimas, nenhuma delas recebeu o ressarcimento dos valores pagos.
Investigação e decisões judiciais
Um Inquérito Policial foi instaurado em outubro de 2023 no Foro Central Criminal Barra Funda, sob responsabilidade da juíza Vivian Brenner De Oliveira. O caso está sendo conduzido pelo 31º Distrito Policial de Vila Carrão, e o Ministério Público tem acompanhado de perto a investigação.
Entre as medidas judiciais mais relevantes, destacam-se a operação de busca e apreensão feita na casa de Nayara em 2023 e a suspensão do perfi de Instagram ligado à investigada.
Em junho de 2024, a Justiça determinou que a conta ‘@naysperfumaria.br’ fosse retirada do ar, alegando a comercialização de produtos supostamente irregulares e contrafeitos. O site da influenciadora, associado às investigações, foi considerado inoperante após as denúncias na época.
A decisão judicial argumenta que as atividades online de Nayara poderiam representar risco às vítimas e permitia a continuidade da suposta prática criminosa. O Ministério Público apontou indícios de que a venda de produtos ocorria em desacordo com a regulamentação da Anvisa, além de relatos de consumidores que se sentiram lesados.
Linha do tempo do caso
A investigação se arrasta há anos, com diversos pedidos de prazo e diligências adicionais. Alguns dos marcos mais importantes incluem:
- 02/10/2023 – Início do inquérito policial
- 15/03/2024 – Pedido de trancamento do inquérito é negado pela Justiça
- 20/06/2024 – Conta @naysperfumaria.br no Instagram é suspensa por decisão judicial
- 29/10/2024 – Processo tem prazos estendidos e novas manifestações do Ministério Público são juntadas aos autos
- 07/02/2025 – Nayara é condenada na esfera cível em um dos processos pelos quais responde
Atualmente, o caso segue em fase de investigação. Em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, em abril de 2024, Nayara afirmou que vendia ‘contratipos idênticos em questão de cheiro e fixação’, além dos modelos originais.
Centenas de denúncias e clientes lesados
Quando os golpes ocorreram, Nayara Macedo ainda não utilizava o nome Any Awuada e acumulava centenas de milhares de seguidores em suas redes sociais. A influenciadora foi acusada de golpe por centenas de clientes, principalmente em São Paulo e Minas Gerais, mas também em diversas regiões do Brasil.
Os relatos indicam que consumidores pagavam pelos produtos anunciados, mas não recebiam as encomendas ou recebiam itens supostamente falsificados. A Itatiaia chegou a noticiar as fraudes de Nayara logo quando surgiram as primeiras denúncias.
Condenação judicial
Além da investigação criminal, Nayara Macedo foi condenada na esfera cível em um dos processos relacionados à sua atividade comercial, na última sexta-feira (7). Em uma ação, uma consumidora alegou ter adquirido um perfume no valor de R$249,00 e não ter recebido o produto. Após tentar contato para obter o reembolso e não ter sucesso, a cliente recorreu à Justiça.
Na decisão, a juíza do processo reconheceu a falha na prestação de serviço e condenou Nayara ao pagamento de R$249,00 por danos materiais, determinando a restituição do valor pago. O pedido de indenização por danos morais, no entanto, foi negado, pois o magistrado entendeu que a situação configurava um problema de ordem patrimonial, sem violação de direitos de personalidade.
Nayara ainda responde por mais 35 processos ativos em seu nome. Destes, 26 são em São Paulo, 3 em Minas Gerais, 2 em Santa Catarina; e 1 em Goiás, na Paraíba, no Rio de Janeiro e também no Rio Grande do Sul.
*Por Rádio Itatiaia