Em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu a primeira fase da operação Bellum ad Vitam (guerra pela vida), com o indiciamento de nove investigados por homicídios. Oito deles, com idades entre 18 e 45 anos, foram presos preventivamente.
As apurações indicam que os crimes estão relacionados a conflitos entre facções criminosas por pontos de tráfico de drogas, principalmente nos bairros Emboabas e São Geraldo, além de vinganças decorrentes dessas disputas. Nos casos já concluídos, os suspeitos pertencem a três grupos criminosos distintos.
Os fatos investigados ocorreram na cidade entre 30 de dezembro de 2024 e 22 de outubro deste ano, além de um outro caso registrado em 17 de abril de 2022, totalizando oito inquéritos concluídos. Desses, quatro são referentes a homicídios consumados e os demais, a tentativas. Ao todo, quatro pessoas foram executadas, enquanto cinco sobreviveram aos atentados.
O chefe do 3º Departamento de Polícia Civil em Vespasiano, delegado-geral Helton Cota Lopes, destacou que as três facções foram identificadas e desarticuladas ao longo da operação, com as principais lideranças presas ou com mandados de prisão em aberto. “Graças a essa atuação da polícia judiciária, diversos inquéritos de homicídio foram concluídos em curto espaço de tempo, culminando na desarticulação desses grupos criminosos”, ressaltou.
Investigações
De acordo com o delegado em Caeté, Cláudio Freitas Utsch Moreira, a partir das apurações do homicídio ocorrido na noite de 30 de dezembro de 2024 foi possível relacionar os demais casos à rivalidade pelo domínio do tráfico de drogas. Na ocasião, um homem de 22 anos foi atingido por mais de dez disparos. A vítima chegou a ser socorrida, mas os suspeitos descobriram que ela estava internada e a executaram dentro da unidade hospitalar.
No intervalo aproximado de três meses, ocorreram outros dois homicídios consumados e uma tentativa. “As investigações, com o apoio da Polícia Militar e do Ministério Público, apontaram que a primeira vítima morreu por liderar uma facção que dominava o tráfico de entorpecentes nos bairros Emboabas e São Geraldo. Esse grupo e outros dois disputavam o controle da região, e ele foi executado com esse objetivo”, informou Utsch.
Confronto
Com a morte desse integrante da facção, outro homem, de 33 anos, assumiu a liderança e também foi executado, em 7 de março. “A terceira vítima foi alvo de uma tentativa de homicídio. Tratava-se de um menor de idade à época, que havia assumido o comando do grupo duas semanas após”, completou o delegado.
Na sequência, em 3 de abril, houve mais uma execução, que vitimou um homem de 24 anos. “Era um inocente, sem envolvimento com o tráfico. Morreu simplesmente porque o menor, vítima da tentativa de homicídio, determinou o assassinato acreditando que ele seria informante de outras duas facções”, explicou Utsch.
Segundo o delegado, posteriormente ocorreram os demais atentados. As investigações também esclareceram o homicídio de uma mulher trans, de 32 anos. Os levantamentos indicam que o suspeito do crime era o homem de 22 anos morto em dezembro, e que a vítima integraria outra facção criminosa.
Lideranças
Cláudio Utsch relatou que o principal líder de uma das facções já havia sido preso e cumpria prisão domiciliar quando teve início a disputa pelo domínio do tráfico, mesmo sem sair de casa. Posteriormente, houve regressão do regime de cumprimento da pena, e ele retornou ao presídio.
O homem teria recrutado um sobrinho que estava foragido do sistema prisional, já condenado por tráfico de drogas e homicídio, assim como o tio. Posteriormente, em uma ocorrência de roubo, ele foi preso junto a um comparsa. Ambos já haviam sido identificados como suspeitos de envolvimento nas duas primeiras mortes e na tentativa contra o menor.
“Nós também apuramos a existência de um grupo em aplicativo de mensagens com cerca de 270 integrantes, todos envolvidos com o tráfico de entorpecentes, pertencentes a diferentes facções. Nesse grupo, eles discutiam, trocavam ameaças e publicavam imagens, vídeos e fotos de armas”, relatou o delegado, acrescentando que, ao longo dos trabalhos policiais, também foram apreendidos 30 quilos de maconha.
Próxima fase
As investigações prosseguem, e a segunda fase da operação tem como objetivo identificar outros integrantes das organizações criminosas, visando à responsabilização penal de todos os envolvidos.
Fonte: Ascom-PCMG